Com 20 milhões de Mosquitos com Wolbachia soltos na Capital, SES recebe atualização de projeto que visa combater a Dengue, Chikungunya e Zika

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Representantes da WMP Brasil/Fiocruz, responsáveis pelo Método Wolbachia, apresentaram ao secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, e demais técnicos da rede estadual e municipal de saúde, resultados referentes a primeira e a segunda fase da soltura dos mosquitos em Campo Grande. O Método está presente em mais de 30 bairros e atinge quase 200 mil pessoas que se mostraram abertas ao projeto – que visa reduzir as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti:  Dengue, Zika e Chikungunya.

Para Resende, os resultados são extremamente animadores e representam um verdadeiro alívio para Mato Grosso do Sul que sofre há muitos anos com a doença. “Estamos entusiasmados com os resultados deste projeto, perto de completar um marco histórico, com um ano da Biofábrica. Assim, queremos evoluir e expandir esta iniciativa para outras cidades do Estado”.

Biofábrica – localizada nas dependências do Lacen/M. Foto: Saul Schramm

Segundo o gestor da WMP/Fiocruz no Brasil, Gabriel Sylvestre, o wolbito – como é chamado o mosquito, se estabeleceu bem em Campo Grande. “Após a soltura, a gente espera que o wolbito se estabeleça, cruze e tenha filhotes com a Wolbachia. Assim, constatamos que há bairros com excelentes nos resultados com índice de 60%. Isto significa que temos uma sustentabilidade em campo, fator responsável pelo sucesso do projeto. O engajamento da população em relação ao projeto também foi muito positiva”.

Estima-se que quase 20 milhões de wolbitos tenham sido soltos em mais de 30 bairros de Campo Grande. “Na primeira fase foram 10 milhões de mosquitos liberados e na segunda fase estamos perto de completar nove milhões. É importante ressaltar, que eles não foram liberados tudo de uma vez. Isto é fruto de cinco meses de trabalho intenso. Uma vez por semana os agentes de saúde liberam entre 100 a 150 mosquitos por 16 a 20 semanas. Cada fase do projeto compreende a sete mil pontos de soltura”.

Para marcar o início da terceira fase, na próxima terça-feira (26) deve acontecer a soltura simbólica do wolbito em frente a Secretaria de Estado de Saúde. “Este ato se incorpora a programação da nova Campanha Contra a Dengue que será intensificada a partir de novembro e que se estende até 2022. Iniciamos esta semana, as articulações para o desenvolvimento de ações preventivas ao enfrentamento a Dengue, Zika e Chikungunya, além da Febre Amarela”, pontua o assessor militar na SES, Coronel Marcelo Fraiha.

Método Wolbachia

O Método Wolbachia é resultado da descoberta do WMP de que o mosquito Aedes aegypti, quando contém a bactéria Wolbachia, tem sua capacidade reduzida na transmissão de doenças. Campo Grande foi escolhida por ser uma cidade de médio porte e vinha sofrendo com a alta incidência de Dengue e por isso, foi escolhida no Centro-Oeste para mostrar que o projeto pode funcionar em diversos biomas do Brasil.

Produção dos wolbitos. Foto: Edemir Rodrigues.

O projeto consiste no engajamento da população e depois entra a fase de liberação dos mosquitos por determinado período, cerca de 16 semanas. Esses mosquitos vão se cruzando na natureza e, com o passar do tempo, haverá uma grande porcentagem do mosquito naquela localidade com a Wolbachia, com isso esperamos ter uma redução das doenças e podemos proteger a população”.

A Wolbachia é uma bactéria intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti. Quando presente neste mosquito, ela impede que os vírus da Dengue, Zika, Chikungunya e febre amarela se desenvolvam dentro do mosquito, contribuindo para redução destas doenças. Não há modificação genética nem no mosquito, nem na bactéria.

Rodson Lima, SES

Publicado por: Rodson Carmo de Lima

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